Fernando Scholl Bettega
Geólogo
Bettega diz:
"Não faça as coisas simplesmente por fazer; aproveite bem o seu tempo e tente escolher seu rumo profissional dentre as especialidades ou tarefas que lhe tragam prazer e bem estar"

 

ENTREVISTA N º 01 17/09/2007 - Curitiba-PR

Área de atuação: meio ambiente UFPR, em 1986, no curso de Geologia.

Qual atividade exerce hoje e aonde?
Licenciamento, fiscalização e monitoramento de atividades poluidoras/degradadoras; análise de projetos, estudos, relatórios e similares de atividades que interfiram com o meio subterrâneo entre outras; no Instituto Ambiental do Paraná (IAP), órgão estadual de execução da política de meio ambiente.

Após a graduação, que cursos realizou e/ou está realizando?
Um grande número de cursos de extensão, além de especialização lato sensu na área ambiental.

Como está o mercado de trabalho hoje?
O melhor desde que me formei, devido ao aquecimento da economia mundial, principalmente pela demanda extraordinária de bens minerais, promovido pelo consumo chinês. Não havia oferta de posições trabalho para geólogos nos patamares atuais, desde o fim da década de setenta.

Qual a sua projeção para o mercado daqui cinco anos?
Obviamente vai depender do desempenho da economia mundial, mas deve continuar aquecido, principalmente pelo pequeno número de escolas no Brasil (em torno de 20 apenas) e pelos investimentos previstos na manutenção ou minimização da redução dos estoques de petróleo a médio e longo prazos.

O que está em alta hoje e o que está em baixa?
Na conjuntura atual não percebo nenhum setor de mercado da geologia em baixa. Apenas o meio acadêmico já não absorve tantos formandos como no passado. Deve haver incremento de demanda de profissionais com formação mais sólida e especializada em geologia do petróleo, geologia ambiental (recuperação de áreas degradadas/poluídas/contaminadas) e de prospecção de bens minerais. A especialização em questões restritas e de alta tecnologia, também deve ser considerada, pois é um processo já sofrido por outras profissões e que nunca foi observado nos geólogos, um "generalista" por excelência. A incorporação de mais profissionais nos quadros do funcionalismo público (prioritariamente nos Estados e Municípios) é urgente, mas depende primordialmente do mandatário em questão, de sua orientação ideológica e da gestão ou evolução da "crise" que vivemos.

Qual a importância do acadêmico e profissional estar em constante contato com os sindicatos, conselhos e associações profissionais?
O profissional alienado, apesar de comum, não traz benefícios para a sociedade ou à profissão. A organização amplifica os anseios e necessidades corporativas, tendo em vista que nossa representação parlamentar (senadores, deputados e vereadores) fica comprometida em meio a um universo tão grande de cidadãos votantes e compromissos mesquinhos assumidos por estes. Em resumo, representa uma das possibilidades de se fazer ouvir, de opinar e de contribuir para a melhoria de tudo que nos rodeia.

Qual a sua dica para o acadêmico que quer se destacar profissionalmente?
Não faça as coisas simplesmente por fazer; aproveite bem o seu tempo e tente escolher seu rumo profissional dentre as especialidades ou tarefas que lhe tragam prazer e bem estar. No futuro, quando vierem as dificuldades, vai ser muito mais simples enfrentá-las e superá-las.